Adeus às compras baratas? Shein e Temu sobem preços em até 50% com novas taxas; veja o que muda
Compras na Shein e Temu ficam até 50% mais caras em 2026 com nova taxa e pegam brasileiros de surpresa. Veja o que mudou.
As compras baratas na Shein e na Temu começaram a pesar seriamente no bolso dos brasileiros em 2026. Com a nova regra de tributação, o valor final dos pedidos pode subir até 50%, mesmo em compras de baixo valor (até US$ 50).
Isso ocorre porque a alíquota federal se soma ao novo cálculo do ICMS estadual, agora aplicado “por dentro”. O resultado? Roupas e acessórios ficam drasticamente mais caros.
Para muitos consumidores, a saída tem sido buscar renda extra ou adotar estratégias de economia doméstica para tentar lidar com o aumento nos preços das importações.
O cenário se confirmou com o início de 2026, quando as novas regras de tributação passaram a valer sobre encomendas internacionais.
Segundo apurado pelo comocomprar.com.br, a chamada “taxa das blusinhas” (alíquota federal de 20% sobre pacotes de até US$ 50) permanece ativa e se soma ao ICMS estadual. Compras acima de US$ 50 seguem sujeitas ao Imposto de Importação de 60%. Combinado ao ICMS, esse imposto pode ultrapassar 90% do valor do produto.
A seguir, veja quais categorias de produtos são mais afetadas pelas novas alíquotas, como a tributação funciona por faixa de valor e o que isso significa para quem ainda planeja comprar em plataformas internacionais.
Tributação em 2026: como os impostos mudam o preço final
A tributação sobre compras internacionais no Brasil segue duas faixas principais.
Para pacotes de até US$ 50: a alíquota federal é de 20%, mas o ICMS estadual (chegou a cerca de 20% em 2025) é calculado por dentro. Na prática, a carga efetiva sobe para perto de 50% do valor da mercadoria. Uma blusa de R$ 80 pode custar R$ 120 ao desembaraço.
Para compras acima de US$ 50: o Imposto de Importação sobe para 60%. Com a incidência do ICMS estadual, a tributação total facilmente ultrapassa 90% do valor do produto. Encomendas sem regimes especiais de isenção perdem quase toda a vantagem de preço em relação ao varejo nacional.
A pressão não é isolada. A União Europeia eliminou isenções para pequenas encomendas. Os Estados Unidos retiraram benefícios fiscais de plataformas asiáticas em 2025. No Brasil, o governo também aumentou impostos sobre mais de mil itens importados (smartphones, bens de capital) com o argumento de proteger a indústria nacional.
O endurecimento é estrutural, não pontual.
Produtos importados que ficam mais caros
A incidência das novas alíquotas não é uniforme entre categorias. Os segmentos com maior impacto são justamente os que mais cresceram nas plataformas asiáticas nos últimos anos.
Conforme levantamento do comocomprar.com.br, os grupos mais afetados incluem:
- Roupas, calçados e têxteis em geral, incluindo acessórios de vestuário
- Produtos de uso pessoal e de cuidado diário, como itens de beleza e utilidades de banho
- Materiais de higiene e limpeza doméstica e institucional
- Materiais de papelaria e escritório, como cadernos, pastas e canetas
- Ferramentas e equipamentos automotivos, incluindo pneus e acessórios
- Artigos de segurança, como cones, balizadores e postes refletivos
- Eletrodomésticos como ferros de passar e micro-ondas (tarifas de até 30%)
- Brinquedos e artigos para bebê (tarifas de até 30%)
- Joias, bijuterias e acessórios de moda (tarifas de até 25%)
- Móveis e artigos de decoração (incidência máxima de 25%)
Nem todos os segmentos sofrem o mesmo impacto. Televisores, refrigeradores e eletrônicos de grande porte têm tarifas entre 15% e 20%. Equipamentos de informática e telefones celulares, em geral, são isentos de tarifa de importação pelo Acordo de Tecnologia da Informação, embora sigam sujeitos ao IVA ou ao ICMS conforme a operação.
| Categoria | Alíquota máxima estimada |
|---|---|
| Roupas, calçados e acessórios | até 50% (federal + ICMS) |
| Higiene, beleza e utilidades pessoais | até 50% (federal + ICMS) |
| Eletrodomésticos (ferro, micro-ondas) | até 30% |
| Brinquedos e artigos para bebê | até 30% |
| Joias e bijuterias | até 25% |
| Móveis e decoração | até 25% |
| TVs, refrigeradores e eletrônicos grandes | entre 15% e 20% |
| Informática e celulares (ATI) | isentos de II; sujeitos ao ICMS |
Estratégia: planejar compras internacionais com as novas taxas
O primeiro passo prático é calcular o custo real antes de confirmar o pedido.
Para qualquer item abaixo de US$ 50 na Shein ou Temu, acrescente pelo menos 40% ao valor exibido. Essa estimativa reflete impostos e frete. Acima de US$ 50, a tributação combinada pode dobrar o preço do produto.
O segundo passo é comparar com o varejo nacional. Em várias categorias (roupas básicas, utilidades domésticas, papelaria) lojas brasileiras oferecem preços iguais ou menores ao custo final importado após tributação.
Para pequenos negócios que revendem produtos importados, renegociar fornecedores ou buscar importadores formais virou urgente.
Quem depende de itens específicos só disponíveis no exterior deve mapear alternativas com antecedência. Consulte canais oficiais como a Receita Federal para entender regimes de isenção aplicáveis à sua situação.
As novas alíquotas sobre importações de países sem acordo comercial representam uma mudança estrutural. Comparar o preço final, já com impostos, ao varejo nacional é o caminho mais seguro para evitar surpresas.
Preços e alíquotas estão sujeitos a atualização conforme regulamentações do governo federal e dos estados.
Fonte: Informações publicadas pelo Estado de Minas, com adaptação editorial